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Os Bons Companheiros (1990)

Os Bons Companheiros (1990)

25 de May, 2026 4 min de leitura Beatriz Fontana Beatriz Fontana

Se existe um filme que redefiniu as regras do cinema de gangster, esse filme é Os Bons Companheiros (Goodfellas, 1990). Dirigido pelo mestre Martin Scorsese, o longa não é apenas uma história sobre a máfia; é um vislumbre elétrico, violento e fascinante de um estilo de vida que seduz e destrói na mesma proporção. Se você procura uma dica de filme que prende os olhos na tela do primeiro ao último segundo, acabou de encontrar.

Poltronas de cinema escuras com uma tela ao fundo, remetendo à experiência cinematográfica clássica de Martin Scorsese
A imersão visceral que só o cinema de Scorsese consegue proporcionar.

A Trama: "Desde que me lembro, sempre quis ser um gangster"

A frase que abre o filme, dita por Henry Hill (interpretado de forma brilhante pelo saudoso Ray Liotta), dita o tom de toda a narrativa. Baseado no livro de não-ficção Wiseguy, do jornalista Nicholas Pileggi, o roteiro acompanha a ascensão e a queda real de Henry dentro da família criminosa Lucchese.

Diferente de O Poderoso Chefão, que trata a máfia com uma aura quase monárquica, operística e familiar, Scorsese nos joga na sarjeta e no luxo cafona dos soldados da rua. Aqui, ser um gangster não é sobre honra; é sobre não pegar filas, ter dinheiro fácil no bolso, usar ternos caros e desfrutar de um poder visceral sobre as pessoas comuns.

Um Elenco em Estado de Graça

O trio principal entrega performances que entraram para a história da cultura pop:

  • Ray Liotta (Henry Hill): Os olhos azuis paranoicos de Liotta servem como nossa bússola moral (ou a falta dela). Ele é o observador fascinado que se torna cúmplice ativo.
  • Robert De Niro (Jimmy Conway): O mestre sutil. Jimmy é calmo, charmoso, mas basta um olhar de De Niro acompanhado de um trago de cigarro para sabermos que ele está decidindo quem vai morrer a seguir.
  • Joe Pesci (Tommy DeVito): Vencedor do Oscar por este papel, Pesci entrega um dos psicopatas mais imprevisíveis do cinema. A icônica cena do "Funny how?" (Engraçado como?) condensa perfeitamente o perigo constante que ronda esses personagens. Você ri com ele, mas reza para não ser o próximo alvo.
Silhueta de homem misterioso usando chapéu de feltro clássico estilo máfia sob a luz da noite
O charme perigoso e a paranoia constante do submundo do crime urbano.

A Direção Revolucionária de Scorsese

O ritmo de Os Bons Companheiros é ditado por uma montagem frenética (cortesia da lendária editora Thelma Schoonmaker) e uma trilha sonora pop/rock cirúrgica. Scorsese não usa trilhas sonoras apenas como fundo; as músicas narram a história, desde os tempos dourados dos anos 50 até o colapso movido a cocaína nos anos 80.

Como esquecer o plano-sequência do restaurante Copacabana? A câmera segue Henry e sua namorada Karen pelas portas dos fundos, atravessando a cozinha barulhenta até uma mesa ser montada exclusivamente para eles na primeira fileira. Em três minutos sem cortes, Scorsese nos faz entender perfeitamente por que qualquer pessoa se deixaria seduzir por aquele mundo.

Por Que Você Deve Assistir Hoje?

Mesmo lançado na década de 1990, o filme não envelheceu um único dia. Ele continua sendo uma aula de ritmo cinematográfico, design de produção e construção de tensão. É um estudo antropológico sobre a ganância americana disfarçado de thriller de crime.

"Para nós, viver de outra forma era impensável. Aquelas pessoas honestas que iam para o trabalho de metrô todo dia e se preocupavam com as contas eram idiotas. Nós fazíamos o que queríamos." — Henry Hill

Considerações Finais

Se você nunca assistiu, prepare a pipoca para duas horas e meia de pura adrenalina cinematográfica. Se você já viu, sempre vale a pena rever a genialidade de Scorsese em seu ápice criativo. Os Bons Companheiros não é apenas uma dica de filme; é um evento obrigatório para qualquer amante da sétima arte.

Beatriz Fontana

Sobre Beatriz Fontana

Para mim, a vida é melhor em 24 quadros por segundo. Sou crítica de cinema e trago para você o olhar por trás das câmeras, do cult ao blockbuster.

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